quarta-feira, 27 de maio de 2009

Oracion a mi mismo - vídeo

you tube - Oswaldo António Begiato - Oracion a mi mismo

Oração por mim mesmo

Que eu me permita
olhar e escutar e sonhar mais.
Falar menos.
Chorar menos.
Ver nos olhos de quem me vê
a admiração que eles me têm
e não a inveja que, prepotentemente, penso que têm.
Escutar com meus ouvidos atentos
e minha boca estática,
as palavras que se fazem gestos
e os gestos que se fazem palavras.
Permitir sempre
escutar aquilo que eu não tenho
me permitido escutar.
Saber realizar
os sonhos que nascem em mim
e por mim
e comigo morrem por eu não os saber sonhos.
Então, que eu possa viver
os sonhos possíveis
e os impossíveis;
aqueles que morrem
e ressuscitam
a cada novo fruto,
a cada nova flor,
a cada novo calor,
a cada nova geada,
a cada novo dia.
Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar,
sonhar o amar,
sonhar o amalgamar.
Que eu me permita o silêncio das formas,
dos movimentos,
do impossível,
da imensidão de toda profundeza.
Que eu possa substituir minhas palavras
pelo toque,
pelo sentir,
pelo compreender,
pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental
(aquela que a alma cria e
que só ela, alma, ouve
e só ela, alma, responde).
Que eu saiba dimensionar o calor,
experimentar a forma,
vislumbrar as curvas,
desenhar as retas,
e aprender o sabor da exuberância
que se mostra
nas pequenas manifestações
da vida.
Que eu saiba reproduzir na alma a imagem
que entra pelos meus olhos
fazendo-me parte suprema da natureza,
criando-me
e recriando-me a cada instante.
Que eu possa chorar menos de tristeza
e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão,
que em vão não sejam
minhas dúvidas.
Que eu saiba perder meus caminhos
mas saiba recuperar meus destinos
com dignidade.
Que eu não tenha medo de nada,
principalmente de mim mesmo:
- Que eu não tenha medo de meus medos!
Que eu adormeça
toda vez que for derramar lágrimas inúteis,
e desperte com o coração cheio de esperanças.
Que eu faça de mim um homem sereno
dentro de minha própria turbulência,
sábio dentro de meus limites
pequenos e inexatos,
humilde diante de minhas grandezas
tolas e ingênuas
(que eu me mostre o quanto são pequenas
minhas grandezas
e o quanto é valiosa
minha pequenez).
Que eu me permita ser mãe,
ser pai,
e, se for preciso,
ser órfão.
Permita-me eu ensinar o pouco que sei
e aprender o muito que não sei,
traduzir o que os mestres ensinaram
e compreender a alegria
com que os simples traduzem suas experiências;
respeitar incondicionalmente
o ser;
o ser por si só,
por mais nada que possa ter além de sua essência,
auxiliar a solidão de quem chegou,
render-me ao motivo de quem partiu
e aceitar a saudade de quem ficou.
Que eu possa amar
e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
fazer gentilezas quando recebo carinhos;
fazer carinhos mesmo quando não recebo
gentilezas.
Que eu jamais fique só,
mesmo quando
eu me queira só.
Amém.
(ORAÇÃO A MIM MESMO - Oswaldo Antônio Begiato)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão Ferreira

Canção na plenitude


Canção na plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Lya Luft

Extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997

domingo, 24 de maio de 2009

Os mensageiros da eternidade...

you tube - os mensageiros da eternidade

Somewhere over the Rainbow

you tube - Judy Garland - Somewhere over the rainbow

Reflexões...

Uma grande verdade é:
"Você precisa Ser para ter e não ter para Ser".
Quando compreendermos isso, estamos no caminho da Iluminação, no caminho da Realização Pessoal
.
"O desgosto e a alegria dependem mais do que somos do que aquilo que nos acontece".

Há quem passe por situações extremas e continua a sorrir e há quem tenha uma vida fácil e não consiga reconhecê-lo...
Quando estamos cansados de viver não é porque a nossa vida não presta, é sim, porque certamente o amor que sentíamos por algo ou por alguém "ideal" se desgastou.

Recomece!
Vera Xavier

guarda-me

guarda-me
adormecida para sempre no teu peito

ou deixa-me voar uma vez mais sobre
esta terra de ninguém onde morro
por qualquer coisa que me fale de ti

há noites assim em que o silêncio
se transforma ao de leve numa lâmina
que minuciosamente rasga o linho
onde ficou esquecido o corpo que habitámos
em provisórias madrugadas felizes

depois é só abrir os braços e acreditar
que ainda faltam muitas horas para a partida
e que à-toa pelos corredores ainda escorre
uma razão primeira a trazer-me de volta

e eu adormecida para sempre
no teu peito
e eu acorrentada para sempre
no teu peito

e de novo entre nós aquele choro de quem
não teve tempo de preparar a despedida
com as palavras certas
porque as palavras certas estavam todas
em histórias erradas
que outros escreveram em lugares nublados
que nem vale a pena tentar recompor

muito ao longe uma voz desgarrada
estabelece o fim do verão
e eu adormecida para sempre
no teu peito

e eu acorrentada para sempre
no teu peito

Alice Vieira

Que diremos ainda?

"Vê como de súbito o céu se fecha
sobre dunas e barcos,
e cada um de nós se volta e fixa
os olhos um no outro,
e como deles devagar escorre
a última luz sobre as areias.

Que diremos ainda? Serão palavras,
isto que aflora aos lábios?
Palavras? este rumor tão leve
que ouvimos o dia desprender-se?
Palavras, ou luz ainda?"

Eugénio de Andrade in Que diremos ainda?

sábado, 23 de maio de 2009

Musicando...

you tube - Keith Jarrett e Jan Garbarek - "My song"

Deus é a sombra do homem

Já participei junto com o prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel de várias conferências em Davos, na Suíça. Em algum de seus discursos, ele comentou:

“Deus é a sombra do homem. Assim como a sombra repete os movimentos do corpo, Deus repete os movimentos da alma”.

Acho excelente esta descrição de Wiesel. Sempre existe uma relação entre o que fazemos e o que recebemos em troca; quando somos generosos, a “sombra de Deus” repete os movimentos que fizemos em benefício do nosso próximo, e nos dá com generosidade dez vezes maior. Se somos cruéis, esta nossa crueldade se reflete no plano espiritual, e também retorna.

Da SURPRESA

Williams descreve uma situação muito curiosa:

“Vamos imaginar que a vida seja perfeita. Você está num mundo justo, com pessoas íntegras. Tem tudo o que quer. Os seres humanos fazem tudo adequadamente, nas horas certas. Imagine que neste mundo você tenha tudo o que deseja – apenas o que deseja – exatamente como sonhou, vivendo quantos anos queira”.

“Imagine que depois de 100 ou 200 anos você se senta num banco imaculadamente limpo, diante de um cenário magnífico e pense: ‘Que chato! Falta emoção!’”

Neste momento, você repara num botão vermelho à sua frente escrito: “SURPRESA!”

“Depois de considerar todas as possibilidades da palavra, você aperta o botão. De repente você entra por um túnel negro e sai exatamente no mundo em que você está vivendo agora”.

Da alma e do mundo

Você sabe exatamente onde está agora?

Você está numa cidade, junto com muita gente, e neste momento existe uma grande chance de várias pessoas terem em seus corações as mesmas esperanças e desesperanças suas.

Vamos adiante: você é um pontinho microscópico na superfície de uma bola. Esta bola gira em torno de outra, que por sua vez está localizada no cantinho de uma galáxia, junto com milhões de bolas semelhantes. Esta galáxia faz parte de um todo chamado Universo, cheio de gigantescos aglomerados estelares. Ninguém sabe exatamente onde ele começa e termina.

Mesmo assim, você é o máximo. Luta, se esforça e tenta melhorar.

Tem sonhos. Alegra-se e se entristece por causa do amor.
Se você não estivesse vivo, algo estaria faltando.

Por não estarem distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.

Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da gua deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.

Como eles admiravam estarem juntos!

Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles.
Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas.

Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos.

Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.

Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Clarice Lispector

quinta-feira, 21 de maio de 2009

É tão fundo o silêncio

É tão fundo o silêncio entre as estrelas.
Nem o som da palavra se propaga,
Nem o canto das aves milagrosas.
Mas lá, entre as estrelas, onde somos
Um astro recriado, é que se ouve
O íntimo rumor que abre as rosas.

José Saramago

Pensa!

"Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo . "
Gabriel Garcia Marquez

quarta-feira, 20 de maio de 2009

...e com dança!

you tube - Al Pacino - Scent of a Woman

terça-feira, 19 de maio de 2009

Também se "cresce" com música!...

you tube - André Rieu - Medley 2008

Crescer é opcional!

No primeiro dia de aulas o nosso professor apresentou-se aos alunos, e desafiou-nos a que nos apresentássemos a alguém que não conhecessemos ainda. Eu fiquei em pé para olhar à volta quando uma mão suave tocou no meu ombro. Olhei para trás e vi uma pequena senhora, velhinha e enrugada, sorrindo radiante para mim, com um sorriso que iluminava todo o seu ser.
Ela disse:
- Hei, bonitão. O meu nome é Rosa. Eu tenho oitenta e sete anos de idade. Posso dar-te um abraço?
Eu ri, e respondi entusiasticamente:
- É claro que pode! - e ela deu-me um gigantesco apertão.
- Por que é que você está na faculdade em tão tenra e inocente idade? - perguntei.
Ela respondeu brincalhona:
- Estou aqui para encontrar um marido rico, casar, ter um casal de filhos, e então aposentar-me e viajar.
- Está a brincar- disse eu
Eu estava curioso para saber o que a tinha motivado a entrar neste desafio com a sua idade, e ela disse:
- Eu sempre sonhei ter um curso universitário, e agora aqui estou!
Após a aula nós caminhámos para o prédio da união dos estudantes, e dividimos um "milkshake"
de chocolate. Tornámo-nos amigos instantaneamente.
Todos os dias nos três meses seguintes tivémos aula juntos e falávamos sem parar.
Eu ficava sempre extasiado a ouvir aquela "máquina do tempo" compartilhar sua experiência e sabedoria comigo.
No decurso de um ano, Rosa tornou-se um ícone no campus universitário, e fazia amigos facilmente, onde quer que fosse.
Ela adorava vestir-se bem, e revelava-se na atenção que lhe davam os outros estudantes. Ela estava curtindo a vida!
No fim do semestre nós convidámos a Rosa para falar no nosso banquete defutebol.
Jamais esquecerei do que ela nos ensinou.
Foi apresentada e aproximou-se do pódio.
Quando começou a ler a sua fala preparada, deixou cair três das cinco folhas no chão.
Frustrada e um pouco embaraçada, ela pegou no microfone e disse simplesmente:
- Desculpem-me, eu estou tão nervosa! Parei de beber por causa da Quaresma, e este uísque está a matar-me! Eu nunca conseguirei colocar os meus papéis em ordem de novo, então deixem-me apenas falar-vos sobre aquilo que eu sei.
Enquanto nós ríamos, ela limpou a sua garganta e começou:
- Nós não paramos de amar porque ficamos velhos; nós tornamo-nos velhos porque paramos de amar.
Existem somente quatro segredos para continuarmos jovens, felizes e conseguir sucesso.
Você precisa rir e encontrar humor em cada dia.
Você precisa ter um sonho.

Quando você perde os seus sonhos, você morre.
Nós temos tantas pessoas caminhando por aí que estão mortas e nem desconfiam!
Há uma enorme diferença entre ficar velho e crescer..
Se você tem dezanove anos de idade e ficar deitado na cama durante um ano inteiro, sem fazer nada de produtivo, você ficará com vinte anos.
Se eu tenho oitenta e sete anos e ficar na cama durante um ano e não fizer coisa alguma, eu ficarei com oitenta e oito anos.

Qualquer um consegue ficar mais velho. Isso não exige talento nem habilidade.
A idéia é crescer através de sempre encontrar oportunidade na novidade. Isto não precisa nenhum talento ou habilidade.
A idéia é crescer sempre encontrando a oportunidade de mudar.

Não tenha remorsos.
Os velhos geralmente não se arrependem daquilo que fizeram, mas sim por aquelas coisas que deixaram de fazer.
As únicas pessoas que têm medo da morte são aquelas que tem remorsos..
E concluiu seu discurso cantando corajosamente "A Rosa".
Ela desafiou cada um de nós a estudar poesia e vivê-la na nossa vida diária.
No fim do ano Rosa terminou o último ano da faculdade que começou há todos aqueles anos atrás.
Uma semana depois da formatura, Rosa morreu tranquilamente durante o sono.
Mais de dois mil alunos da faculdade foram ao seu funeral, em tributo à maravilhosa mulher
que ensinou, através de exemplo, que nunca é tarde demais para ser tudo aquilo que você pode provavelmente ser.

Estas palavras têm sido divulgadas por amor, em memória de "Rosa" e lembre-se:

"Ficar velho é obrigatório, crescer é opcional".

Se você leu isso com o coração estará mais sábio, mas se leu com a mente, estará apenas mais velho ..

domingo, 17 de maio de 2009

o mural

"... lá vou eu pintando o mural no Corredor do Tempo, através da alteração da vibração da energia da vida que rodopia em mim e à minha volta.
Sim.
Com os teus pensamentos.
Tu vais "pintando" à tua frente com os teus pensamentos.
E com as tuas palavras.
Tudo o que dizes pinta uma pintura de quem pensas que és, e de como imaginas que a vida é.
E com as tuas acções.
Tudo o que fazes expressa qualquer coisa acerca de ti. Estás a pôr as imagens de todas as possibilidades no mural. Tudo o que alguma vez pensaste foi possível - todas as esperanças, todos os sonhos, todas as preocupações, todos os pesadelos - tudo está no mural."

('Regresso a Deus' de Neale Walsch)